Reflexão


"Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual. Ser real é isto" - Alberto Caeiro

"A imaginação é a rainha do real e o possível é uma das províncias do real" - Charles Baudelaire

Saturday, December 26, 2009

Falta de coesão interna e sem proposta como oposição: o PSDB em 2010




É fato que o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) foi o partido que mais cresceu nos últimos anos. Fundado em 25 de junho de 1988, no período de transição política do regime militar para a democracia, o partido é considerado jovem. Mas já ocupou a burocracia estatal por oito anos no governo federal (com o saudoso FHC) e mantém uma capilaridade em vários Estados do Brasil. O Partido tem uma proposta clara aos brasileiros: efetivar o Estado mínimo. Mesmo com essa experiência, o PSDB não consegue ser um partido de oposição no Congresso, conforme podemos ler em vários meios de comunicação - ora os tucanos criticam a bolsa família, ora brigam pela paternidade do programa.

A capa do jornal Folha de São Paulo do dia 18/12/2009, mostrou duas fotos que podem ser lidas de forma sincrônica. Na primeira, mostra o rosto cansado (depois de horas na reunião) de Sérgio Guerra - presidente nacional do PSDB - que tinha na sua frente, mas com cara de assustado, o ex-pré-canditado ao planalto em 2010, Aécio Neves. Na segunda, aparece o premiê italiano com o rosto todo enfaixado (nariz quebrado e com dois dentes a menos na boca). Acredito que essa leitura poética da capa do jornal é uma expressão real da situação interna do PSDB, que saiu assim, do enfrentamento entre Serra e Aécio, com muita dor, quebras e arranhões internos que ficarão expostos na eleição do próximo ano. Podemos deduzir que não há no PSDB uma linha de oposição ao governo Lula e internamente não há uma coesão entre seus principais líderes.

Se historicamente é fato que o PT de SP é o grande articulador da política nacional, tal premissa pode ser dada ao PSDB, ou seja, quem comanda o partido é a turma de SP. Sem Aécio, o PSDB terá dificuldades para realizar a famigerada chapa “puro-sangue”. Ao não citar – de forma direta - apoio ao Serra no seu discurso de sete minutos, Aécio Neves, deixou claro que o silêncio ao paulista poderá se prolongar até as próximas eleições.

Como mineiro nunca perde o trem, o governador de Minas Gerais percebeu que o “tucanato” não se alinha nos trilhos, e mais, resolveu ficar na “estação” até março de 2010. Tal morosidade prejudica o processo de alianças do PSDB e de acordos com outros partidos, como exemplo o PDT (atualmente base do governo Lula) que sinalizou apoio aos tucanos se o candidato fosse Aécio, assim como o PSB do Ciro. O PSDB corre o risco de ter poucos aliados e, pior, de não ter uma sintonia dentro do partido para um nome ao pleito de 2010, que provavelmente será o Serra. De família com tradição na política, Aécio sabe que a disputa ao senado é a melhor estratégia para se manter ativo no cenário político, claro, o pleito não será nada fácil, pois os seus adversários – ao senado – serão: o ex-presidente Itamar Franco (PPS) e o atual vice-presidente José Alencar (PRB) - tudo indica.

Pode ser traçado um outro cenário em 2010 (que influenciará 2014), se Serra (sem apoio dos mineiros) ir mal nas urnas, o PSDB abrirá um espaço para o DEM de Kassab ocupar o espaço (junto com o DEM de SC que tem divergências com DEM de Rodrigo Maia do Rio de Janeiro). O que pode estar em jogo nas estratégias tucanas, não é apenas o apoio do Aécio ao Serra, mas a situação do partido no maior colégio eleitoral do Brasil. Assim, o “tucanato” paulista venceu a disputa interna do partido ao descartar Aécio, mas em um curto período pode perder seu espaço político em São Paulo.

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