Reflexão


"Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual. Ser real é isto" - Alberto Caeiro

"A imaginação é a rainha do real e o possível é uma das províncias do real" - Charles Baudelaire

Saturday, December 19, 2009

Dois temas das relações exteriores brasileiras



Podemos destacar dois grandes temas das relações exteriores brasileiras no final deste ano. O primeiro encontra-se geograficamente na América Central, na questão de Honduras. As eleições do dia 29/12 que elegeu Porfírio Lobo (Partido Nacional), não foram marcadas por fraudes, assim, fica difícil aos países negarem a legitimidade do processo, mesmo que só 40% dos hondurenhos tenham ido às urnas.

O presidente tomará posse em 27 de Janeiro, mas sua primeira tarefa é buscar o reconhecimento da Organização dos Estados Americanos (OEA) do seu governo. Países como: EUA, Peru, Colômbia, Panamá e Costa Rica já reconheceram a eleição como legítima. Outra ação de Lobo é a proposta de uma anistia para todos os envolvidos no golpe de Estado do dia 28 de junho do ano corrente.

O Brasil encontra-se em uma situação delicada, pois não tem uma tradição diplomática na região, exceto pelas tropas no Haiti (na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti - MINUSTAH), sendo assim o Brasil, ainda não conseguiu se projetar como um líder na região, isto é, os EUA continuarão com uma forte influência nessa parte do continente. O maior problema situa-se no que fazer com Manuel Zelaya, abrigado na embaixada brasileira localizada em Tegucigalpa (capital de Honduras) desde setembro. Tudo indica que o governo brasileiro irá reconhecer as eleições em Honduras, mas fica a incógnita do que fazer o Zelaya.

O segundo é um tema mais amplos e vincula-se com todos os países do mundo e principalmente com o meio ambiente, ou seja, a Conferência do Clima em Copenhague - capital da Dinamarca.

Tudo indica que a Conferência do Clima será feita conforme o jargão popular “para inglês ver”. Tal premissa vem de um simples fato: se os EUA e a China (países que não poluem no mundo) não reduzirem de forma rápida e em grande escala suas emissões de CO2, pouca coisa irá mudar. E mais, mesmo que um acordo razoável seja feito pelos países mais poluidores, nada e ninguém garantirão o efetivo cumprimento do acordo feito na Conferência, pois os EUA não assinou os acordos do protocolo de Kyoto (1997), afirmando que o acordo interfere no crescimento econômico do país.

O Brasil foi o primeiro país a fazer um “compromisso voluntário de redução de CO2” até 2017, mas o nosso grande problema não é a poluição do desenvolvimento industrial, mas do desmatamento na Amazônia. O governo está sofrendo uma forte pressão da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Confederação Nacional da Industria (CNI), para que não assuma nenhuma meta, pois tal medida poderá frear o desenvolvimento e possíveis barreiras comerciais se as metas não forem alcançadas.

O Brasil já conseguiu atuar como um representante dos países emergentes, agora, na Conferência, é o momento de mostrar sua importância, ao buscar um acordo entre os países que estão na Dinamarca.

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