Reflexão


"Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual. Ser real é isto" - Alberto Caeiro

"A imaginação é a rainha do real e o possível é uma das províncias do real" - Charles Baudelaire

Sunday, October 24, 2010

LIBERDADE DA NOSSA “IM-PRENSA”

O Brasil avança na liberdade de imprensa. Conforme mostrou a ONG, Repórteres Sem Fronteira, o Brasil subiu 13 posições no ranking mundial de imprensa. Agora o país ocupa 58º posição. Estamos longe do ideal, mas é um avanço importante. A ONG afirma que o Brasil conquistou tal posição no ranking por causa da “evolução favorável da legislação”, ou seja, o governo vem aprimorando suas leis e contribuindo com a liberdade de todos os meios de comunicação.

Mas ainda há muita reclamação por falta de liberdade na mídia impressa. O motivo, em minha opinião, está ligado a alguns jornais. Tais jornais – de grande circulação nacional - estão atrasando o progresso do Brasil de se libertar da censura. Um exemplo atual e amplamente conhecido é o jornal O Estado de São Paulo – “O Estadão”, que demitiu Maria Rita Kehl por expressar suas concepções. Em si o artigo da psicanalista não tem nada de partidário. Maria R. Kehl apenas expõe algumas políticas públicas que deram certo no governo federal, e que tudo indica, terá continuação com o próximo presidente, seja ele(a) do PT ou do PSDB. Mas o jornal “O Estadão” que se tornou um tentáculo de um partido, não aceita o pluralismo de ideias, base de qualquer democracia e, claro, de qualquer meio de comunicação que almeje liberdade. Há jornais que também publicam matérias sem nenhum compromisso com a veracidade dos fatos. Estes meios de comunicação são expoentes da procrastinação brasileira, no que tange liberdade de imprensa. Um outro fator do atraso na emancipação total da mídia brasileira é a proteção feita pela – própria - mídia de algumas pessoas ou instituições que já censuram de forma indiscriminada os meios de comunicação em um período não muito distante da nossa história política. Na atual decadência de nossos jornais, até um ex-espião da ditadura, que mandou para tortura milhares de jovens, têm sua opinião divulgada, contra uma presidenciável, como se fosse sinônimo de autenticidade histórica. Em minha opinião, ex-espião do regime militar é usurpador de liberdade alheia e não tem moral para fazer qualquer pronunciamento sobre o quesito: caráter.

Para o país conquistar uma ampla liberdade de imprensa deve-se rever o papel de alguns jornais, que deixaram sua função mor de informar, investigar, ser pluralista e trazer temas de interesse público para se tornarem, infelizmente, centros de divulgação partidária ou de um grupo específico da sociedade civil. Enfim, “Libertas Quæ Sera Tamen”.

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