Reflexão


"Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual. Ser real é isto" - Alberto Caeiro

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Friday, August 26, 2011

Movimento Estudantil: no Chile o no Brasil



A organização do movimento estudantil no Chile é de longa data. Mas os problemas atuais iniciaram em 1981, quando na ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) foi desmantelado o ensino universitário que acabou incentivando o setor privado e sua busca por lucro e a redução de investimentos nas universidades públicas. O aumento da dívida de estudantes (hoje o Chile tem cerca de 1,1 milhões de estudantes universitários em uma população de 17 milhões) e a má qualidade do ensino tornaram-se características da educação deste país deste então.

Em 2006, no governo de Michelle Bachelet também ocorreram protestos dos jovens secundaristas em prol de gratuidade da passagem de ônibus e da isenção da taxa do vestibular. A ex-presidenta atendeu em parte as reivindicações dos manifestantes que ficaram conhecidos como Los Pinguinos, por causa da cor dos uniformes dos estudantes.

Atualmente, no governo de Sebástian Peñera, conhecido por ser um entusiasta do neoliberalismo, a revolta estudantil promovida na capital chilena, Santiago, busca uma reforma estrutural da educação no país. Populares, sindicatos, inclusive o importante sindicato dos mineiros apoiam o atual movimento.

Nota-se novamente que as redes sociais (principalmente o Twitter, Facebook e o Orkut), como em outros movimentos na África e na Europa também estão sendo utilizadas como instrumento de mobilização dos estudantes.

Já no Brasil, não podemos afirmar que o ensino superior é de alta qualidade. Todavia há avanços, principalmente após o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). No governo dele houve um projeto de expansão das universidades públicas, foram criadas no período 14 novas instituições e mais de 100 novos campi no país.

Programas como: Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI); Universidade Aberta do Brasil (UAB); Universidade para Todos (ProUNI), mudanças no Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) e o Sistema de Seleção Unificada (SISU) para quem faz o Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM) e entra neste cenário as políticas afirmativas para vários segmentos da sociedade brasileira, remodelando o ensino superior no país, colocando-o em outro patamar, no mínimo mais inclusivo.

Talvez, os programas citados acima tenham contingenciado os problemas estruturais da educação brasileira, falta de qualidade, baixos salários, recursos escassos entre outros, mas na questão do movimento estudantil, ocorreram algumas mudanças, ou seja, agenda de reivindicações está sendo comprida pelo governo. Provavelmente, por isso, a União Nacional dos Estudantes (UNE), tenha ficado apático.

Entretanto, no plano da educação básica, de responsabilidade dos municípios o caos e a falta de aplicação de projetos permanecem o modus operandi desta esfera educacional e o chamado ensino médio, de responsabilidade dos Estados, continua sem sentido para todos: os alunos e os professores.

O que o Chile precisa é de reformas na educação, principalmente no ensino superior e o Brasil pode ser um exemplo nesta área.

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