Reflexão


"Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual. Ser real é isto" - Alberto Caeiro

"A imaginação é a rainha do real e o possível é uma das províncias do real" - Charles Baudelaire
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Wednesday, March 17, 2010

Conjuntura política: Dilma versus Serra e a consolidação da democracia brasileira






Com os últimos números da pesquisa Datafolha, José Serra (PSDB) com 32%, Dilma (PT) com 28%, Ciro Gomes (PSB) com 12% e Marina (PV) com 8% das intenções de votos (Folha de São Paulo: 28/03/2010), provavelmente haverá uma mudança na estratégia do PSDB para as eleições presidenciais de outubro. O governador do estado mais rico do país, José Serra, corre o risco de perder no primeiro turno se a “onda” de otimismo em prol da campanha da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, aumentar. Tudo indica que Serra irá entrar no jogo de uma campanha eleitoral “plebiscitária”, ou seja, fará um debate comparando as duas gestões (os oitos anos do PSDB x os oito anos do PT).

Provavelmente, José Serra entrará nesse jogo político de comparações entre governos, mas dificilmente conseguirá criar uma unidade discursiva dentro do PSDB . O “tucano” terá a difícil missão de lidar com comparações – na esfera nacional - e ao mesmo tempo terá que debate as mudanças do seu governo – em São Paulo - apontando quais serão as novidades de uma gestão social-democrata no planalto. E mais, Serra tem que mostrar que não irá herdar a herança política de FHC, como por exemplo, a falta de emprego e a fragilidade política externa. Esperamos que sua estratégia de enfretamento aos petistas não seja pautada por uma agenda negativa, cujo discurso pauta-se apenas pela desqualificação do adversário.

No caso do PT é mais fácil, pois Dilma Rousseff não representa a si, mas uma proposta de continuação das políticas sociais e econômicas. Nesse sentido, time que está ganhando não se mexe. Desde janeiro do ano corrente a candidata não sai das manchetes e de alguns programas televisivos, isso explica sua fervorosa popularidade e claro, o apoio e patrocínio político de Lula será fundamental para sua vitória em outubro.

O fator mais importante desse processo eleitoral é que a consolidação, depois de 25 anos da efetivação da Nova República, temos vários candidatos envolvidos com o processo democrático. O envolvimento dos principais pré-candidatos (Serra, Dilma, Ciro e Marina) é um demonstrativo do fortalecimento das instituições políticas no Brasil, que somando com a ascensão econômica coloca o país entres as maiores democráticas no mundo.

Friday, December 18, 2009

Eleições internas do PT e 2010


O Partido dos Trabalhadores (PT) continuará com sua presidenta no poder (2010-2012).


Foi o que mostrou o resultado das eleições de domingo (06/12/2009) na sede do partido. Com 169 votos, Neide Gonçalves obteve uma boa diferença sobre o segundo colocado, Roberto Dias que obteve 109 votos, algo que deixou surpreso o candidato Wilson Cerqueira que ficou em terceiro lugar com 105 votos. Cerqueira já foi um dos candidatos do PT mais votado em uma disputa para a vaga ao executivo municipal (2004). Também foram computados 2 votos em brancos, 2 votos nulos e 4 votos inválidos, perfazendo um total de 391 votos. Foi a maior votação que já ocorreu no Processo de Eleições Direta (PED) no PT de Limeira. Tal fato demonstra que o partido tem uma forte base social, pois foram votar: professores, sindicalistas, presidentes de associações de moradores entre outros filiados (as).

Todavia, com o resultado de domingo, deverá ocorrer um replanejamento por parte do sindicato dos metalúrgicos de Limeira, que apoiaram Wilson Cerqueira, pois não terão mais a hegemonia dentro do PT.


A executiva do partido será composta por: 2 membros do extinto Fórum, 2 membros do grupo do vereador Ronei Costa Martins, 2 membros da ala do Roberto Dias e 1 membro da tendência da Neide - Construindo um Novo Brasil (CNB). Assim, Neide ganha a presidência, mas terá dificuldade em governar se os três líderes das tendências (Ronei, Wilson e Roberto) se unirem contra seu projeto político. E mais. Se as disputas internas continuarem em um tom alto, provavelmente os militantes da executiva não conseguirão tirar o PT da inércia política na cidade. Aliás, o PSDB, que não tem o PED também terá que resolver o que fazer com seu único representante na Câmara Municipal, que não consegue projetar o partido na cidade. Parece-me que em Limeira não haverá uma polarização - como ocorrerá na esfera estadual e federal entre PSDB e PT -, pois a maior parte dos partidos que estão em destaque na cidade (PDT, PR, PTB) farão palanque a Dilma Rousseff.


Assim, fica evidente que o vazio político deixado pelo PT na cidade é ocupado pelo PDT. Para preencher esse espaço vazio, há duas correntes, a primeira: com o grupo da Neide Gonçalves, que busca discretamente uma aliança com o atual executivo municipal. A segunda, mais ampla (com maioria no diretório) entende que o PT se fortalecerá atuando como um ator de oposição ao governo Félix. Esta oposição busca nortear suas ações pelo viés marxista.