Reflexão


"Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual. Ser real é isto" - Alberto Caeiro

"A imaginação é a rainha do real e o possível é uma das províncias do real" - Charles Baudelaire
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Wednesday, February 29, 2012

O PSDB

Algumas ações do dia a dia de um partido demonstram exatamente qual é a sua essência ideológica. A ação do PSDB, em aceitar a candidatura do Serra para prefeito de SP, depois que as inscrições já estavam encerradas, é um absurdo.

O pré-candidato Serra não respeita nem as regras do partido que é filiado. Imagine se ele chegar novamente ao governo. O PSDB tem que decidir se tem um candidato para as eleições municipais ou se é o pré-candidato Serra que tem um partido e faz o que bem entender com ele.

As previas do dia 05/03, agora será dia 25/03, tal mudança foi feita pelo pré-candidato supracitado. O PSDB mostrava sinais de democratização interna, mas as últimas ações demonstram o quanto de caciquismo ainda há nesse importante partido para o Brasil.

Wednesday, July 13, 2011

Um novo cenário político em Curitiba?



A saída de Gustavo Fruet do PSDB mostra como o partido continua sobre o manto do centralismo político. Fruet, ex-deputado federal e que recebeu 2,5 milhões de votos para senador (destes 646 mil só na capital), mas não levou, é um político que tem sua base ligada na juventude. Ressalta-se que o seu pai foi um político com vários mandatos e até prefeito de Curitiba entre 1983-1985, ou seja, Fruet tem um rastro político forte na cidade. Ele buscava do PSDB apoio para sua possível candidatura a prefeitura de Curitiba, todavia, tudo indica que Luciano Ducci, atual prefeito pelo PSB, sairá candidato a reeleição. Ele era vice de Beto Richa, quando o mesmo foi prefeito entre 2004 a 2010. Agora como governador do Estado, Richa dará apoio ao Luciano Ducci, mantendo sua base aliada no importante pólo de poder que é Curitiba.
Segundo Fruet: “Comunico a Vossa Excelência e ao PSDB o meu desligamento do partido.

A decisão, tomada com tristeza após meses de conversações internas infrutíferas e muita reflexão, foi movida por sentimento de profunda incompreensão com o silêncio e a falta de clareza da direção do partido na capital, especialmente quanto à participação na sucessão municipal de Curitiba nas eleições de 2012.”

Quem olha todo este cenário de perto é o senador Roberto Requião do PMDB, que já foi prefeito de Curitiba e governador do Estado. Ele está louco para colocar um aliado na bela capital, talvez, por isso o Gustavo Fruet não se filiará no PMDB, talvez ele irá para o PSD.

Indo para outro partido, Fruet irá rachar os votos do PSDB e provocar uma disputa mais equilibrada entre os partidos, nesse processo, poderá haver novidades para o executivo municipal curitibano. Pesa ao filiado do PSDB um possível apoio ao Luciono Ducci, pois o mesmo é filiado ao PSB, que nacionalmente apóia o PT, seu principal adversário. Tais contradições poderiam mudar o contexto político da capital do Paraná.

Friday, June 25, 2010

O Futuro do processo eleitoral brasileiro

Diz um amigo meu “se o vice não tira voto, é um bom vice”. O grande problema do candidato Serra não é propriamente o vice, mas o engodo que o PSDB está fazendo em alardear sobre o possível vice do tucano. Com os democratas em bancarrota, sem moral para indicar um candidato, o projeto psdebista é fazer uma chapa “puro-sangue” com o atual candidato ao senado, Aécio Neves (ex-governador de Minas Gerais).

Como Aécio Neves já abandonou “o trem” no final de 2009 e nenhum outro nome relevante no cenário político quis se expor, os líderes do PSDB se voltaram – novamente -para Aécio, que comandava o segundo maior colégio eleitoral do Brasil. Agora, sem chance de pegar o mineiro, apelam para o senador Álvaro Dias do Paraná. Serra, sem um projeto novo para o Brasil e com os colossais problemas com um vice que ainda não tem, vê sua campanha em declínio e o seu amigo Aécio debandando para outros rumos, pois “mineiro nunca perde o trem”.

No sentido do debate eleitoral, o PSDB também erra em querer comparar o heroico Serra com a Dilma. A campanha na realidade será feita através de um debate exaustivo entre Lula e o Serra - Dilma a margem do processo.

O que fica evidente nesse jogo é a falta de coesão interna do PSDB em lidar com a alta popularidade do governo Lula. Esse “bate cabeça” entre os intelectuais psdebistas fica expresso nos erros do partido no cenário eleitoral brasileiro. Serra já está perdendo – segundo as pesquisas - para Dilma em São Paulo, onde era governador. Será que o atual tabuleiro das eleições nacionais será repetido em São Paulo? Cuidado Geraldo, o Mercadante vem aí!

A consideração que podemos fazer dessa análise é que o maior problema - imediato - do candidato Serra é o próprio PSDB. Como as saídas são poucas, pois a eleição já se aproxima e a probabilidade de Serra apelar para um baixo nível de debates, como por exemplo, fazer ataques pessoais aos adversários, pode tornar-se a toada da sua campanha. Quem perde, além dos candidatos, é o processo eleitoral brasileiro. Desejamos que o futuro das eleições seja pautado pelo debate de projetos políticos para o país. Qual é projeto político que queremos para o Brasil?

Wednesday, March 17, 2010

Conjuntura política: Dilma versus Serra e a consolidação da democracia brasileira






Com os últimos números da pesquisa Datafolha, José Serra (PSDB) com 32%, Dilma (PT) com 28%, Ciro Gomes (PSB) com 12% e Marina (PV) com 8% das intenções de votos (Folha de São Paulo: 28/03/2010), provavelmente haverá uma mudança na estratégia do PSDB para as eleições presidenciais de outubro. O governador do estado mais rico do país, José Serra, corre o risco de perder no primeiro turno se a “onda” de otimismo em prol da campanha da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, aumentar. Tudo indica que Serra irá entrar no jogo de uma campanha eleitoral “plebiscitária”, ou seja, fará um debate comparando as duas gestões (os oitos anos do PSDB x os oito anos do PT).

Provavelmente, José Serra entrará nesse jogo político de comparações entre governos, mas dificilmente conseguirá criar uma unidade discursiva dentro do PSDB . O “tucano” terá a difícil missão de lidar com comparações – na esfera nacional - e ao mesmo tempo terá que debate as mudanças do seu governo – em São Paulo - apontando quais serão as novidades de uma gestão social-democrata no planalto. E mais, Serra tem que mostrar que não irá herdar a herança política de FHC, como por exemplo, a falta de emprego e a fragilidade política externa. Esperamos que sua estratégia de enfretamento aos petistas não seja pautada por uma agenda negativa, cujo discurso pauta-se apenas pela desqualificação do adversário.

No caso do PT é mais fácil, pois Dilma Rousseff não representa a si, mas uma proposta de continuação das políticas sociais e econômicas. Nesse sentido, time que está ganhando não se mexe. Desde janeiro do ano corrente a candidata não sai das manchetes e de alguns programas televisivos, isso explica sua fervorosa popularidade e claro, o apoio e patrocínio político de Lula será fundamental para sua vitória em outubro.

O fator mais importante desse processo eleitoral é que a consolidação, depois de 25 anos da efetivação da Nova República, temos vários candidatos envolvidos com o processo democrático. O envolvimento dos principais pré-candidatos (Serra, Dilma, Ciro e Marina) é um demonstrativo do fortalecimento das instituições políticas no Brasil, que somando com a ascensão econômica coloca o país entres as maiores democráticas no mundo.

Saturday, December 26, 2009

Falta de coesão interna e sem proposta como oposição: o PSDB em 2010




É fato que o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) foi o partido que mais cresceu nos últimos anos. Fundado em 25 de junho de 1988, no período de transição política do regime militar para a democracia, o partido é considerado jovem. Mas já ocupou a burocracia estatal por oito anos no governo federal (com o saudoso FHC) e mantém uma capilaridade em vários Estados do Brasil. O Partido tem uma proposta clara aos brasileiros: efetivar o Estado mínimo. Mesmo com essa experiência, o PSDB não consegue ser um partido de oposição no Congresso, conforme podemos ler em vários meios de comunicação - ora os tucanos criticam a bolsa família, ora brigam pela paternidade do programa.

A capa do jornal Folha de São Paulo do dia 18/12/2009, mostrou duas fotos que podem ser lidas de forma sincrônica. Na primeira, mostra o rosto cansado (depois de horas na reunião) de Sérgio Guerra - presidente nacional do PSDB - que tinha na sua frente, mas com cara de assustado, o ex-pré-canditado ao planalto em 2010, Aécio Neves. Na segunda, aparece o premiê italiano com o rosto todo enfaixado (nariz quebrado e com dois dentes a menos na boca). Acredito que essa leitura poética da capa do jornal é uma expressão real da situação interna do PSDB, que saiu assim, do enfrentamento entre Serra e Aécio, com muita dor, quebras e arranhões internos que ficarão expostos na eleição do próximo ano. Podemos deduzir que não há no PSDB uma linha de oposição ao governo Lula e internamente não há uma coesão entre seus principais líderes.

Se historicamente é fato que o PT de SP é o grande articulador da política nacional, tal premissa pode ser dada ao PSDB, ou seja, quem comanda o partido é a turma de SP. Sem Aécio, o PSDB terá dificuldades para realizar a famigerada chapa “puro-sangue”. Ao não citar – de forma direta - apoio ao Serra no seu discurso de sete minutos, Aécio Neves, deixou claro que o silêncio ao paulista poderá se prolongar até as próximas eleições.

Como mineiro nunca perde o trem, o governador de Minas Gerais percebeu que o “tucanato” não se alinha nos trilhos, e mais, resolveu ficar na “estação” até março de 2010. Tal morosidade prejudica o processo de alianças do PSDB e de acordos com outros partidos, como exemplo o PDT (atualmente base do governo Lula) que sinalizou apoio aos tucanos se o candidato fosse Aécio, assim como o PSB do Ciro. O PSDB corre o risco de ter poucos aliados e, pior, de não ter uma sintonia dentro do partido para um nome ao pleito de 2010, que provavelmente será o Serra. De família com tradição na política, Aécio sabe que a disputa ao senado é a melhor estratégia para se manter ativo no cenário político, claro, o pleito não será nada fácil, pois os seus adversários – ao senado – serão: o ex-presidente Itamar Franco (PPS) e o atual vice-presidente José Alencar (PRB) - tudo indica.

Pode ser traçado um outro cenário em 2010 (que influenciará 2014), se Serra (sem apoio dos mineiros) ir mal nas urnas, o PSDB abrirá um espaço para o DEM de Kassab ocupar o espaço (junto com o DEM de SC que tem divergências com DEM de Rodrigo Maia do Rio de Janeiro). O que pode estar em jogo nas estratégias tucanas, não é apenas o apoio do Aécio ao Serra, mas a situação do partido no maior colégio eleitoral do Brasil. Assim, o “tucanato” paulista venceu a disputa interna do partido ao descartar Aécio, mas em um curto período pode perder seu espaço político em São Paulo.

Sunday, December 20, 2009

Eleições 2010: o PSDB na mira da transparência


O caso Leonel Pavan (vice-governador de Santa Catarina)

“O Tribunal de Justiça não acatou o pedido de habeas corpus da defesa do vice-governador Leonel Pavan, que questionava a atuação da Polícia Federal na Operação Transparência para investigar o segundo no comando da administração estadual.O TJ considerou que a Polícia Federal tem, sim, atribuição para proceder a investigação e o respectivo indiciamento de Pavan.” (Jornal A Notícia 16/12/2009)

Entenda o caso: O vice-governador do PSDB de Santa Catarina e outros servidores públicos, juntamente com alguns empresários, são suspeitos de três crimes: corrupção passiva, advocacia administrativa e quebra do sigilo funcional.

A denúncia parte da Política Federal que investigava o caso há vários meses. O Inquérito terminou no dia 10/12/2009 quando as investigações da Operação Transparência foram finalizadas. A Operação Transparência investigou os crimes citados acima na administração do governador Luiz Henrique. Ademar Stocker, superintendente da PF, afirma ter provas o suficiente dos envolvidos nos crimes. Ligações telefônicas e vários documentos foram recolhidos, indicando corrupção passiva e quebra do sigilo funcional no governo que o PSDB participa. Como exposto, Pavan (ex-prefeito de uma idade muito conhecida em SP – Balneário Camboriú) recorreu, mas não teve sucesso.

Ex-prefeito do PSDB poder ser preso – Marco Tebaldi.

Marco Tebaldi é ex-prefeito da maior cidade de Santa Catarina – Joinville (até 2008). É vice-presidente do PSDB no Estado, que é presidido pelo Pavan (citado acima na Operação Transparência). Tebaldi, foi condenado no mês corrente por desvio de verba e falsidade ideológica. O ex-prefeito do PSDB terá uma difícil escolha, ou fica quase dois anos e meio na cadeia ou perderá os seus direitos políticos. Para saber mais leia o site: (http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&uf=2&local=18&template=3948.dwt§ion=Blogs&post=256471&blog=375&coldir=1&topo=3994.dwt)

Considerações

Claro, não podemos generalizar os fatos afirmando que os dois casos citados correspondem ao que é PSDB no Estado. Mas fica evidente (na esfera política) que a tríplice aliança (DEM-PSDB-PMDB) montada no Estado para as eleições de 2010 se desmoronou, pois é difícil sustentar uma eleição com três partidos na mira de acusações de corrupção (Arruda ex-DEM [por conveniência saiu do partido], Sarney do PMDB lá em Brasília e Pavan do PSDB da própria terra dos barrigas-verdes). Se a justiça confirmar os indícios da Policia Federal (PF), o PSDB não terá tempo de reverter a imagem do partido no Estado.

Santa Catarina, um espaço significativo de apoio aos tucanos e, principalmente, do PMDB e do DEM (ex-PFL) - não sabemos se depois desses escândalos e condenações continuará como "uma base" dos tucanos. Resta saber se o PT com Ideli Salvatti (senadora do PT pelo Estado) conseguirá ocupar um espaço maior na esfera política (principalmente no interior). O seu adversário político, Raimundo Colombo (também senador pelo Estado – do democrata), tem uma inserção significativa no interior do Estado (por ser ex-prefeito de Lages) e conta com o apoio de Pavan no litoral catarinense e, claro, com a família Bornhausen. Colombo tem a difícil tarefa de reerguer o DEM – na esfera nacional.

Não podemos esquecer que o petista Carlito Merss (ex-deputado federal) governa atualmente Joinville - maior nicho eleitoral do Estado. O petista busca de forma incessante a verticalização do apoio do PMDB nacional ao PT no Estado, mas sem sucesso. O governador Luiz Henrique (ex-prefeito de Joinville) do PMDB, quer o contrário, ou seja, quer o PMDB com candidatura própria no pleito de 2010 - o PMDB catarinense é tido como uma fração à direita dentro do PMDB.

Nesse cenário, Santa Catarina deixa de ser apenas um belo Estado, para ser uma região cuja disputa política nacional será intensa nos seus 293 municípios, principalmente nos 10 mais populosos. Onde PT tem uma prefeitura, DEM, PSDB e PMDB juntos tem seis, PP duas e PPS uma. Se uma parte dos mais de 4.300.00 milhões de eleitores sinalizarem (nas pesquisas) que votarão no PT ao governo do Estado, fica evidente a fragilidade política do PSDB e do DEM, ou seja, queiramos ou não, se os partidos que fazem oposição ao governo federal não conseguirem em seus redutos demonstrarem força políticas para garantir sua sucessão nas cadeiras já conquistadas, dificilmente conseguirão convencer o país.

Os eleitores catarinenses, talvez não perceberam, mas serão o termômetro da campanha de 2010.