Reflexão


"Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual. Ser real é isto" - Alberto Caeiro

"A imaginação é a rainha do real e o possível é uma das províncias do real" - Charles Baudelaire

Tuesday, March 6, 2012

Atualidades: Eleições na Rússia




O atual primeiro-ministro da Federação Rússia, Vladimir Putin, saiu vitorioso nas eleições presidenciais. Ele obteve 64% dos votos e contou com o apoio do atual presidente, Dmitri Medvedev, que abriu mão de sua reeleição para Putin sair candidato.

Mesmo com um “novo” presidente, a política externa do governo russo não modificará seu eixo de atuação no jogo internacional. Ele continuará apoiando o governo Sírio e buscando aumentar sua inserção no Cáucaso, enfrentando grupos separatistas. Na economia, a Rússia está estagnada e dependente de energia. Mudar essa situação será o grande desafio interno do novo governo. Tal cenário é diferente do início do século, quando Putin conseguiu acelerar a economia do país, levando a Rússia a ser respeitada no mercado mundial.

A trajetória de Putin começa nos anos de 1970, quando ele foi um agente secreto da KGB. No final dos anos 1990, o governo russo vivia um caos, enfrentava os dissidentes chechenos e não conseguia equilibrar as contas públicas. Nesse cenário, Vladimir Putin ganhou as eleições para presidente em 2000 e é reeleito em 2008. Nos dois mandatos promoveu uma abertura política e retirou a econômica russa do isolamento. Na contramão dessas ações, ele promoveu reformas políticas que inviabilizavam novos partidos e atacavam a liberdade civil e da imprensa. Ele também aprovou uma lei que impedia eleições diretas para prefeitos, semelhante ao que ocorreu, em 1966, no Regime Militar brasileiro, quando foram criados os senadores biônicos. Outra medida, agora como primeiro-ministro, foi aumentar de 4 para 6 anos o mandato de presidente.

Com relação ao processo eleitoral russo, devemos destacar que ele é propício para fraudes. Não há um sistema informatizado e nem uma ligação burocrática entre as seções eleitorais, ou seja, uma pessoa pode votar várias vezes, pois a comissão eleitoral não tem controle das pessoas que votam e nem há uma averiguação da existência de assinaturas duplas. Novamente há um exemplo semelhante na história política do Brasil, nas chamadas “eleições do cacete”, referente à manipulação dos resultados eleitorais e o também conhecido voto de cabresto, da Primeira República.
O fato da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) indicar fraude nas eleições em benefício do partido de Putin, Rússia Unida, aumentou o coro dos candidatos derrotados. Protestos e paralisações já foram prometidos pelo líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov, que ficou em segundo lugar. É provável que o Partido Comunista tenha respaldo dos jovens que no ano passado protestaram contra as eleições ao parlamento. O movimento ficou conhecido como primavera russa.

O resultado eleitoral deste ano demonstra como o governo russo ainda não conseguiu emplacar uma democratização interna. Putin está no governo a mais de 12 anos e isto demonstra um fato importante: que não há uma rotatividade eleitoral, mas sim uma troca no poder de atores do mesmo grupo, às vezes, nem isso. Também é salutar apontar que há um movimento de jovens buscando construir uma nova Rússia, mesmo que o conservadorismo de uma parte da sociedade ainda seja significativo.



Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_de_presidentes_da_R%C3%BAssia

Thursday, March 1, 2012

Limpeza ética.



A mídia, os intelectuais, os políticos e a sociedade estão de olho na “limpeza ética” que o atual prefeito de Limeira, Orlando José Zovico poderá fazer no Executivo. Fato importante e necessário, tendo em vista que vários meios de comunicação e vereadores já denunciavam irregularidades nas secretárias há muito tempo.

Todavia, fazendo uma análise mais abrangente, porém, não profunda de todos os fatos, evidencia-se que a reestruturação de cargos também é salutar na Câmara Municipal de Limeira. No caso, o principal ator desse processo é o atual presidente da Casa, Dr. Raul Nilsen Filho (PMDB). Ele tem o poder e o apoio de muitos vereadores e, principalmente da população, para mudar os funcionários do legislativo que não se enquadram mais no contexto político, ou melhor, no novo conceito de ética que o presidente, sabiamente, conseguiu empregar na casa de leis.

O foco desta “limpa” poderia iniciar na parte jurídica da Casa de Leis e terminar por setores mais discretos, entretanto não menos importante, como da comunicação de imprensa. Esclareço que há muita gente na Câmara em cargos comissionados que são sérias e suprapartidárias, trabalham de forma imparcial e para o bem da máquina pública. Mas gostaria de ver ações de “limpeza ética” nos vários poderes de nossa República. A Câmara Municipal já deu um importante passo nesse rumo, ao cassar o ex-prefeito Sílvio Félix (PDT), mas o caminho é longo e a jornada é árdua.

Wednesday, February 29, 2012

O PSDB

Algumas ações do dia a dia de um partido demonstram exatamente qual é a sua essência ideológica. A ação do PSDB, em aceitar a candidatura do Serra para prefeito de SP, depois que as inscrições já estavam encerradas, é um absurdo.

O pré-candidato Serra não respeita nem as regras do partido que é filiado. Imagine se ele chegar novamente ao governo. O PSDB tem que decidir se tem um candidato para as eleições municipais ou se é o pré-candidato Serra que tem um partido e faz o que bem entender com ele.

As previas do dia 05/03, agora será dia 25/03, tal mudança foi feita pelo pré-candidato supracitado. O PSDB mostrava sinais de democratização interna, mas as últimas ações demonstram o quanto de caciquismo ainda há nesse importante partido para o Brasil.

Tuesday, February 28, 2012

Política em Limeira

O fato inédito da cassação do ex-prefeito Sílvio Félix (PDT), não marca apenas a história de Limeira, mas modifica o cenário político eleitoral. Esse novo contexto é propício aos atores que estavam nas sombras, agora eles podem aproveita um espaço ao sol. Todavia, no Brasil, atores são importantes, mas quem instrui no processo político são os partidos. Até para sair como candidato para vereador é necessário passar pelo crivo partidário. Dessa forma, o contexto fica imbricado. O PMDB tem nomes importantes na legenda, o PSB e o DEM estão construindo um nome e o PT entrará no processo político coeso, fato importante para uma agremiação que tem numerosas tendências internas, também terá a maior estrutura de uma campanha eleitoral, com nomes fortes para o Legislativo e o Executivo.

O grande problema, da pré-campanha, é quem vai dar o primeiro passo para uma aliança? Já estamos acerca de sete meses da eleição e nomes para o Paço Municipal surgem como pipoca na panela. Bastaria dois dos partidos citados acima, confirmarem uma aliança, para se ter uma legenda forte e, quem sabe, uma possível vitória. Acredito que o arranjo político de 2012 terá como horizonte as eleições para presidente em 2012. Assim, mesmo contra vontade de muitos, os partidos deverão dominar, mesmo que nos bastidores, o debate eleitoral no município.

Sunday, February 26, 2012

Política e entusiasmo



Não será o entusiasmo o condutor de minhas decisões. O quadro político é novo em Limeira, pois parte da população resolveu assumir suas responsabilidades e atuar como protagonista na vida política da cidade. Perante isso, alguns caciques não terão mais o poder ou influência de anteriormente, mas isso não significa que eles estão totalmente fora da arena política.

Uma composição de vanguarda será formada para o futuro pleito. Entretanto, haverá um resquício conservador. Lembro ao leitor que na política contemporânea, o espaço para herois ou salvadores da pátria foi reduzido, especificamente na política brasileira, marcada por governos de coalizão. Um bom exemplo é o governo Lula. Em seu governo foram retiradas 40 milhões de pessoas da miséria, mas ele não mexeu na estrutura política que corrói o patrimônio público, há pelo menos 200 anos.

O objetivo deste texto é trazer cautela em meio aos confetes. A participação da sociedade não pode se resumir em apenas comparecer as sessões da Câmara Municipal. O movimento tem que estar nas ruas, assim como, não se pode beatificar aqueles que agiram de forma acertada em um momento político. Para o entendimento da política é preciso conhecer a história, pois ações isoladas transformaram caciques ou "tribos" ligado à velhas estruturas políticas em salvadores da sociedade, possibilitando que continuem na engrenagem do sistema. Uma frase famosa do escritor italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa resume bem o nosso cenário político: "Se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude”.

Tuesday, February 21, 2012

A volta dos que não foram: Censura e Ditadura no Brasil


O Regime Militar brasileiro durou 21 anos. Nesse período os militares foram apoiados pelo governo norte-americano. Também apoiaram o regime um setor da burguesia brasileira e alguns meios de comunicação.

Com a abertura política, após 1985, o país entra no rol das nações democráticas. Nossos vizinhos, os argentinos e os uruguaios, também experimentam o processo democrático nesse período. O governo argentino teve a coragem de rever seu passado e com isso verificou que ocorreram vários crimes contra os direitos humanos. Por crimes no regime militar, os argentinos já prenderam 486 militares, desses 200 já foram condenados.

Apesar de haver livros que provam os vários crimes no Regime Militar, como por exemplo, “Brasil: Nunca Mais” que expõe de forma objetiva as maneiras que as pessoas eram brutalmente interrogadas, infelizmente nada foi feito. Parece que há uma conivência de uma parte significativa da elite brasileira, ou seja, eles colocam uma espécie de “panos quentes” nos fatos históricos. Na mídia não há um debate sobre isso. No governo existe uma lentidão para se abrir os documentos “secretos” das Forças Armadas do período do regime. No livro supracitado há 444 casos de torturas. Os depoimentos são chocantes e acredito que há outros milhares de casos não investigados.

As Forças Armadas não foram responsabilizadas por nada, isto é, saíram do poder sem ter que pagar sua dívida história. Não e à toa que os direitos humanos são desrespeitados constantemente no país, pois uma das principais entidades da República cometeu atos claros contra os cidadãos de seu próprio país e nada foi feito. Até parece que essa história não existiu no Brasil.

Depois de macularem nossa história, uma parte do militares ainda quer impedir a livre opinião de autoridades, em especial do governo Dilma. Lembro que o tempo da censura já acabou! A instituição militar deveria ficar preocupada com nossas fronteiras, por onde passam milhares de armas, entre outros contrabandos.

Pela ineficiência de zelar por nossas fronteiras, muitos oficiais não mereceriam os seus altos salários e, posteriormente, suas aposentadorias e futuras pensões que são quase ad infinitum. Membros das Forças Armadas que participaram em ações contra os direitos humanos deveriam ser condenados pelas torturas ou mortes cometidas no Regime Militar, como é feito na Argentina. O Supremo Tribunal Federal decidiu não tocar nesse assunto diretamente, mas isso é vergonhoso para nação ou pelos menos para mim. Tendo em vista que muitos países da América do Sul já criaram seus tribunais e estão julgando seus criminosos de farda. O governo deveria deixar de lado a ladainha de alguns militares e cumprir com uma de suas funções: esclarecer todos os fatos de nossa história recente.

Sunday, January 29, 2012

Educação no Brasil





O atual cenário político indica que a famigerada reforma ministerial do governo Dilma Rousseff não atingirá muitas pastas. As especulações eram mais midiáticas do que um projeto da presidenta. De fato, até o momento, ocorreram apenas duas substituições. Na Petrobrás e no Ministério da Educação (MEC). No MEC saiu Fernando Haddad, e entrou em seu lugar Aloizio Mercadante que ocupava a pasta da Ciência, Tecnologia e Inovação, ambos do PT. Esses dois ministérios são estratégicos para o conceito do momento: o desenvolvimento do país. Todavia é evidente que o MEC tem mais repercussão na mídia. Provavelmente, Mercadante usará sua nova função para projetar-se para as eleições do governo de São Paulo - daqui dois anos. Transformando o ministério em palanque e o ensino, assim como os docentes, em segundo plano.

A gestão do pré-candidato Fernando Haddad à frente do ministério poderá ser medida no futuro pela última propaganda do MEC. Na propaganda, o governo apela para os jovens cursarem algum curso de licenciatura. Se você não tiver dinheiro o governo paga suas mensalidades e, posteriormente, você devolverá o investimento do governo lecionando em “escolas públicas”- recintos destinados àqueles que não têm dinheiro para pagar uma escola com certa rotina de ensino e aprendizagem.

A propaganda é bem elaborada e o governo bem avaliado, mas nossa realidade é retratada pelo inverso. O colorido da TV não esconde mais o ridículo do nosso salário, a falta de perspectiva da nossa carreira e o desrespeito diário com os professores. Para se ter noção da contradição do sistema educacional, uma Faculdade Particular, que também adora propagandas, em vez de contratar, despediu a maioria do seu quadro de mestres e doutores, pouco se questionou os motivos dessa perspicácia. No Brasil, a educação se faz sem mestres e isso tem a conivência do seu ministério. O MEC virou trampolim para carreiras que não estão ligadas à educação, óbvio, se ganha muito pouco nesse ramo. O Brasil na atual situação não precisa apenas de uma reforma ministerial, mas de uma revolução na educação.

Tuesday, January 17, 2012

Participação política em Limeira

O ex-ministro da fazenda de João Goulart, San Tiago Dantas, uma vez disse: “política só se faz no poder”. Fico feliz que sua frase não tenha validade na prática, pois na reunião do dia 15/01 na Câmara Municipal ficou demonstrado que o poder está em outras esferas. Foi com certeza um momento histórico da política limeirense. Uma parte da sociedade ficou por mais de três horas esperando o resultado da Comissão Processante (CP) que tem como objetivo investigar a “denúncia contra o Prefeito Municipal Silvio Félix da Silva”. Na respectiva reunião ocorreu o aceite dos documentos reenviados pelo Ministério Público, pelos membros da CP.

O fato marcante daquele dia não foi apenas a atuação dos cidadãos presentes na Egrégia. O destaque é: a reunião que se buscava acompanhar era fechada, ou seja, o indivíduo não tinha como saber o desenrolar da reunião - algo frustrante. A sabedoria do cidadão que estava presente se deu ao perceber que o fato mais importante era sua vigília. Os munícipes de forma paciente esperaram o resultado da sessão de forma exemplar. Alguns, pelo cansaço e pela chuva foram embora depois de uma hora, mas a maioria esperou pacientemente o término da reunião e os mais exaltados aclamavam gritos de protestos - até o hino nacional foi entoando. Esse cenário lembra uma frase de Tancredo Neves que disse: “Não se deve fazer política sem emoção, mas as decisões devem ser cerebrais. Trata-se de um ato de discernimento intelectual (...)”.

O final da noite de domingo foi uma das melhores amostras de como a sociedade deve atuar quando os seus interesses estão em jogo: participar e pressionar os seus representantes a votarem conforme seus interesses.

Thursday, December 8, 2011

Falta de articulação política afastou Félix


Foto:Câmara Municipal de Limeira no dia do afastamento do prefeito Silvio Félix.

O prefeito Silvio Félix (PDT) foi afastado temporariamente do cargo pela Câmara Municipal de Limeira em 28 de novembro de 2011. Todos os 13 vereadores presentes votaram pelo afastamento. Esse fato indica ausência de apoio parlamentar ao prefeito embora, concretamente, esse afastamento se deva a suspeitas de corrupção envolvendo sua família e outras pessoas próximas a ele.
Constata-se, em breve histórico, algumas tentativas de Félix a cargos eletivos em 1998 e 2000, sua eleição ao Paço Municipal em 2004 e sua reeleição ao cargo de prefeito em 2008, com 82% dos votos válidos. No início do mandato havia, no mínimo, 11 vereadores que apoiavam sua legislatura.

É possível apontar um erro estratégico do próprio político como fator determinante para o afastamento do prefeito de Limeira do poder, caso se considere como pressuposto a hipótese de que motivos políticos tenham sido a causa da decisão da Câmara, e não própria e unicamente as acusações de corrupção que recaem diretamente sobre a figura do prefeito e demais pessoas de seu círculo mais próximo de relacionamento. Considere-se, com destaque, que Félix vinha destratando alguns de seus ex-aliados na Câmara Municipal, como por exemplo, o vereador Eliseu Daniel.

Eliseu, candidato à prefeitura em 2012, buscava apoio do prefeito agora afastado, mas só recebeu negativas dele. Tal frustração culminou no desligamento de Eliseu do PDT - partido de Sílvio Félix - e na migração do vereador para o DEM. Além disso, o PR, partido que também apoiava Silvo Félix, distanciou-se dele e optou por lançar um candidato próprio em 2012.

Diante de tudo isso, pode-se então considerar que a falta de articulação política do próprio prefeito foi que lhe tirou a maioria parlamentar na Câmara Municipal, já que a má interpretação da realidade, por parte de Félix, possibilitou a convergência de projetos díspares em direção a um objetivo comum: bloquear a influência de Sílvio Félix na Câmara. Destaque-se, ainda, que o vereador Ronei Martins, cuja ideologia sempre esteve ligada à esquerda, entendendo o momento histórico do processo, e preferiu abrir mão de alguns preceitos para compor com um adversário histórico do PT, no caso, o já citado DEM, ao qual pertence o vereador Eliseu Daniel.

Um fator relevante para a identificação dos possíveis deflagradores do episódio tratado, e que deve ser analisado com maior profundidade – em próximo artigo - é a união de vários movimentos sociais da cidade em prol do afastamento do prefeito Sílvio Félix do poder.

Saturday, November 19, 2011

Israel e Irã: um jogo midiático



O que ocorre no Oriente Médio, com relação a Israel e o Irã é um sensacionalismo extremado. O Irã é signatário do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), isto é, o país é proibido de produzir armas nucleares. Já o Estado de Israel não é signatário do Tratado, tem várias ogivas nucleares que não são fiscalizadas por nenhuma instituição internacional.

Fica evidente o caráter propagandístico do discurso dos governos de Israel e norte-americano, pois esses países buscam deslocar o atual debate que está em torno do reconhecimento da Palestina na Organização das Nações Unidas (ONU). Os aliados de Israel estão na contra mão do movimento mundial que acredita que o diálogo é a base para uma paz duradoura no Oriente Médio.

O relatório feito pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), não traz muita novidade, porém os meios de comunicação interpretam o documento de forma livre e sensacionalista. Essa escalada de uma propaganda negativa contra os iranianos só engedra mais desconfianças do governo de Muhammad Ahmadinejad, que se afasta do debate e radicaliza seus discursos contra o “Ocidente”, fornecendo assim, os instrumentos necessários para que Israel ou os EUA justifiquem ações futuras.

Uma tentativa de diálogo com os iranianos partiu do Brasil e da Turquia em 2010, todavia esse acordo foi negligenciado pelos EUA. Hoje temos um clima de guerra na região, fato gerado pela negação de negociações diplomáticas. Só há um beneficiado com esse cenário, o Estado de Israel que pode continuar investir em armas e em seu projeto expansionista na região.

Friday, November 18, 2011

Comentário: Mercado Financeiro

É importante que o país tenha alcançado mais uma letra dentro do ranking do mercado financeiro. A empresa que analisa riscos Standard & Poor’s elevou um degrau “a nota de crédito soberano do Brasil”. Provavelmente nosso sistema financeiro ficará cada vez mais seguro. Só espero que essa conquista seja transformada em benefícios para o povo, pois geralmente quem ganha com isso são os especuladores.
Mas uma coisa que não me deixa sossegar, nessa questão, é saber quem avalia as agências de risco? Como podemos acreditar que elas estão fazendo uma análise de fato?


Fonte:http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/11/standard-poors-eleva-nota-de-risco-do-brasil.html

Comentário: Síria

Em breve o que está ocorrendo na Síria será chamado de guerra civil. Segundo a ONU já morreram mais de 3.500 pessoas no conflito e soldados estão desertando e atuando como milícia a favor dos manifestantes. A Liga Árabe foi assertiva em buscar uma punição ao governo de Assd, mas ainda é pouco. O conflito na Síria pode se espalhar por todo o Oriente Médio e isso é bom para as ações expansionista de Israel

Tuesday, November 15, 2011

Comentários: Redução de Juros e Mídia

Redução de Juros.

O governo brasileiro, através do Banco Central, agiu de forma correta ao facilitar o crédito ao consumidor. A ação se deu com a redução dos juros (taxa real), que no país é algo crucial, pois pagamos uma das maiores taxas do mundo. Com juros em declínio haverá uma maior circulação de bens, aumento a estrutura produtiva, não permitindo dessa forma a desindustrialização. O governo deveria aproveitar para fazer mais três ações: a) Aumentar a fiscalização e tributação sobre as grandes fortunas do país; b) Fazer uma renúncia fiscal sobre os impostos ligados ao transporte público, em vez de privilegiar o transporte individual e c) reduzir os impostos sobre os remédios entre outros produtos.

Fonte: Folha de São Paulo.


Corrupção e Mídia

A mídia brasileira vem agindo de forma correta em expor possíveis casos de corrupção contra alguns ministros do governo Dilma. É papel de mídia averiguar e denunciar qualquer falta de compromisso de servidores públicos com a sociedade que lhe paga o salário, entre outros benefícios legais. Todavia, o que fica evidente é o viés ideológico dessas mídias. Ao focar no governo federal, os meios de comunicação escamoteiam os desvios de dinheiro público de outros estados. Um exemplo é São Paulo, que atualmente vive um dos seus maiores escândalos, conhecido como máfia da merenda. O caso é colossal, até o momento 34 municípios estão envolvidos. Há políticos, funcionários públicos, empresários e (supostamente) amigos e/ou parentes ligados ao atual governador envolvidos. Essa leniência com o governo de São Paulo demonstra o quanto os meios de comunicação estão mais preocupados com a queda de um grupo político do que com fim do atroz mal que rodeia nossa política: a corrupção estrutural.

Comentários: Crise Grega e Síria

Crise Grega.

Os alemães ocuparam vários países na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), entre eles, a Grécia. O governo da Alemanha Ocidental, no período da Guerra Fria recebeu ajuda norte-americana para desenvolver sua economia. Todavia, os alemães não indenizaram os países que invadiram, menos ainda, o povo grego. Na atual crise capitalista, querem marginalizar os gregos por ter um governo corrupto e mentiroso que foi aceito pela tal comunidade europeia. Aliás, as falsificações das contas gregas foram feitas por agências americanas e europeias. Alemanha poderia pagar sua dívida com os gregos ao perdoar a sua dívida, talvez isso amenizasse o atual cenário econômico que vive os gregos.

Na Síria.

O que está ocorrendo na Síria é uma vergonha internacional. O ditador sírio vem autorizando o massacre de seu povo, com conivência das potências mundiais. O governo sírio continuará matando seus cidadãos se providências não forem feitas imediatamente. O governo norte-americano finge que nada está ocorrendo, pois seu presidente encontra-se em campanha eleitoral e qualquer ação mais enérgica poderia fazer oscilar o número de seus simpatizantes. O que vale para Barack Obama, a partir de agora, é sua reeleição.

Monday, November 14, 2011

Pré-Sal: uma questão crucial para o Brasil




Uma parte das receitas geradas pelo pré-sal deve ser redividida entre todos os estados do Brasil, com a outra parte, o governo Federal deve fazer um fundo soberano, constituindo dessa maneira um projeto de desenvolvimento social - fator crucial para a nação. Um mau exemplo do desperdício das receitas do petróleo é a Venezuela, que não se aproveitou dessa riqueza para acabar com a desigualdade social da nação.

Um problema que se avizinha é da distribuição do lucro da extração do pré-sal. Estes recursos são suscetíveis à corrupção. Assim, a questão é: Como será a fiscalização desse dinheiro? Primeiramente, todo dinheiro dessa fonte deveria ser investido em educação, meio ambiente, na política militar, civil e principalmente em tecnologia. O governo deve criar ferramentas para que a circulação desta riqueza fosse acompanhada por todos os cidadãos comum, através de sites entre outros meios.

Um segundo problema é o atual contexto da economia do país, que está entrando em processo de desindustrialização. Por isso, o país não pode investir apenas no pré-sal, o que agravaria a desindustrialização. O Estado deve ter clareza do uso desses recursos para não entrar no que ficou conhecida como “doença holandesa”, isto é, quando todos os recursos de um país são projetados para apenas um eixo produtivo, ocasionando um déficit de produtos e uma dependência das commodities, sujeita a oscilações do mercado financeiro.

A polêmica da redivisão dos Royalties escamoteia um terceiro problema grave no país: a centralização tributária das receitas pela União. Nenhum presidente da redemocratização efetivou de forma séria uma reforma estrutural nessa questão. Talvez, se isso tivesse ocorrido, os municípios com menor IDH poderiam estar em outro patamar de seu desenvolvimento.

Thursday, November 10, 2011

Por um novo IDH: por um novo Brasil




No início de novembro, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgou o Relatório do Índice de Desenvolvimento Humano. Neste cenário o Brasil conseguiu subir um ponto, se comparado com o ano anterior, atualmente o país está na 84º colocação, entre os 187 analisados. Nesta lista, o Brasil fica atrás de países da América do Sul, como Argentina (45º), Uruguai (48º), Peru (80º) e Equador (83º).

A ideia do IDH, criado nos anos de 1990, pelo paquistanês Mahbub ul Haq e pelo indiano Amartya Sen foi deslocar a análise econômica centrada no sistema financeiro, no período regido pelo Neoliberalismo, para uma agenda pautada por uma economia política com ênfase no social, na qualidade de vida de todos os habitantes do país analisado.

Atualmente, falta ao Pnud incorporar novos critérios à sua metodologia, mesmo que uma parte dessa carência tenha sido efetivada no Relatório do ano passado, quando foram acrescentado novos instrumentos de análise e de questões pare se elaborar o ranking do IDH. Em 1992, o Pnud acrescentou o conceito de liberdade política como um princípio de desenvolvimento humano, mas talvez, por falta de clareza no conceito do que seria “liberdade política”, tal perspectiva não deu certo. Espera-se que novos itens relacionados ao meio ambiente, a esfera cultura e política sejam incorporados, buscando aperfeiçoar esse importante instrumento que compara o rendimento de um país com o seu desenvolvimento social.

No Brasil, o IDH deve ser analisado como ponto de partida e não como um fim. O país vem crescendo ano a ano no índice; isso significa que as políticas sociais, iniciadas no governo de Fernando Henrique Cardoso e expandidas no governo de Lula de Silva estão fazendo efeito. É evidente que o governo poderia agilizar a emancipação dos cidadãos que não têm acesso a uma vida decente, nesse caso, falta apenas vontade política e não recursos financeiros.

Thursday, November 3, 2011

Crise, mentiras e o colapso do capitalismo: o caso grego


Os gregos esqueceram que são os pais da filosofia. A filosofia antiga tinha como parâmetro a busca do conhecimento verdadeiro. O atual governo grego rompe com essa tradição filosófica, pois já mentiu duas vezes. A primeira para entrar na União Europeia e a segunda, agora, para receber um empréstimo do Banco Central Europeu para pagar sua colossal dívida externa.

A mídia brasileira também mascara a chamada “crise grega”, ao relacioná-la à uma nação e seus problemas internos, como gastos elevados na área social e falta de planejamento financeiro, como se fossem pressupostos da crise, mas nada disso se relaciona diretamente à ela. Há uma análise, por parte de alguns analistas, pautadas pela superficialidade do que ocorre no continente europeu.

Deve-se destacar que a crise grega é séria, é o reflexo de um sistema que se retroalimenta de crises, por isso não pode ser vista como isolada ou apenas ligada aos problemas internos de um país, pois Irlanda, Itália e Portugal também estão com problemas financeiros. Dessa forma pode-se afirmar que a crise é estrutural, ou seja, ligada ao sistema escolhido para gerenciar as relações comerciais entre os países. Estou afirmando que quando os governos optaram pelo modelo capitalista como eixo de relação entre as nações, eles sabiam que as crises eram inerentes ao sistema. É em momentos de crises que empresas privadas aumentam seu capital e que especuladores concretizam seu projeto de ter uma boa aposentadoria.

O que o presidente da França e a primeira-ministra da Alemanha estão fazendo nada mais é que um circo, cujos clientes somos nós. A ajuda dos Bancos, do Fundo Monetário Internacional ou do Banco Central Europeu aos gregos não irá mudar o declínio econômico deste país. Para resolver os problemas gregos seria necessário mudar o sistema econômico adotado pelos países. Talvez, um modelo econômico alternativo para a atual crise seja o New Deal norte-americano da década de 1930 ou Neodesenvolvimentismo do governo Lula da Silva que poderiam reorganizar a economia da Europa.

Uma forma de apaziguar os efeitos da crise é fazer o contrário do que o governo grego vem realizando. Isto é, deve-se empregar mais pessoas, investir em infraestrutra, gerando mais receita, e claro, não pagar a dívida externa. Um Estado Nacional deve primeiro garantir a sobrevivência de seu povo, nesse caso, ele deve ser o grande empresário da sua própria nação e não deixar isso para o mercado financeiro ou para outros países que visam fins próprios.

Sunday, October 30, 2011

O direito à verdade




Não se pode negar a importância do Estado em manter alguns documentos em sigilo. Na área da diplomacia é essencial o segredo de algumas ações, pois envolve recursos financeiros e humanos.

Na Guerra Fria, vários acordos secretos foram importantes. Um exemplo foi o acordo entre os EUA e a ex-União Soviética em 1962, que retirou seus mísseis de Cuba enquanto os americanos retiravam suas armas da Turquia. Tal fato só foi revelado muito tempo depois.

Talvez resida aí a polêmica em torno do site Wikileaks, que revelou documentos do Estado norte-americano, enquanto ações do governo ainda eram efetivadas no campo de batalha. Os documentos revelados pelo site mostravam o descaso do Estado americano com os Direitos Humanos, mas isso não chegou a mudar a postura do governo. Atualmente, o site sofreu algumas sanções, que vem gerando uma crise financeira neste meio, ou seja, quem está sendo prejudicado é o denunciante.

No Brasil, os documentos Oficiais considerados ultrassecretos não terão mais o sigilo por tempo indeterminado. Antes, o acesso aos documentos oficiais poderia ser prorrogável quantas vezes o governo achasse necessário. Agora, os documentos do período da Guerra do Paraguai e até do Regime Militar poderão ser acessados por qualquer cidadão interessado nesses arquivos. O Senado aprovou no dia 25 de outubro a Lei de Acesso às Informações Públicas, que regula o acesso a esses documentos. A partir da sanção presidencial qualquer documento Oficial considerado ultrassecreto será disponibilizado após 25 anos, prorrogável uma vez pelo mesmo período, ou seja, o limite do sigilo é de até 50 anos.

Tal fato é uma alavanca para o aprimoramento da democracia e do conhecimento sobre nossa própria História. A sociedade de qualquer país deve ter o direito de saber o que seus governantes fizeram, pois isso é uma forma de conter qualquer tipo de terrorismo de Estado entre outras possíveis arbitrariedades contra os Direitos Humanos.

Tuesday, October 25, 2011

Por uma nova Líbia.



Os rebeldes da Líbia, em boa parte cidadãos comuns, conseguiram mostrar aos governos ditatoriais do mundo que é possível vencer uma guerra contra um exército regular. O efeito político da morte de Kadafi, em 20 de outubro, é colossal, não chegou a uma semana da morte de Kadafi e seu filho, e o ditador do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, resolveu abdicar do governo, após 32 anos no poder, talvez pelo temor de acontecer com ele o mesmo que ocorreu com o ex-ditador da Líbia.

O novo governo da Líbia não terá todas as estruturas da democracia ocidental, talvez tenha o mínimo, ou seja, tenha sua forma de governo pautada por uma República Islâmica com participação do povo, que por meio do voto, escolheria seus parlamentares ou presidente. Se for isso é pouco, tendo como dado a miríade de mortos.

Para os governos europeus não importará muito o modelo de governo que será adotado na Líbia, e sim, se os contratos efetivados para distribuição de petróleo e gás serão mantidos. Era evidente às relações políticas e econômicas que Itália, França entre outros países mantinham com ex-ditador Líbio. Tudo em nome do petróleo barato e acessível deste país do norte da África para os países ricos e “civilizados” da Europa.

Após a morte de Kadafi, relatos de execução em massa de seus seguidores são veiculados em vários meios de comunicação. Assim, a nova Líbia já nasce com um problema, quem julgará esses crimes e como as armas serão recolhidas desses ex-guerrilheiros? Há também uma probabilidade que ao mudar radicalmente sua forma de governo, os líbios, para se manterem como um país estável, não poderão mudar seu eixo econômico.

Monday, October 17, 2011

Nova Política do Velho Sistema

Um espectro ronda Limeira: a ideia que alguém em algum lugar desta cidade está fazendo uma “Nova Política”. Sinceramente nunca vi um discurso mais surrado, vazio e clichê do que isso. Lembro que Fernando Collor de Mello, o nosso primeiro presidente eleito por voto direto, após o regime militar (1964-1985), também se dizia um candidato novo, com uma nova política, sem os vícios dos marajás, e isso não significou nada, em termos éticos, pois como sabemos ele sofreu um impeachment.

Não acredito que alguém faça uma nova política em um sistema marcado pela falta de transparência e relações de compadrio. Penso ao contrário desta proposta de “novo” político; prefiro políticos experientes com novas ideias a políticos transvestidos de protetores do povo, aliás, pobre é a sociedade que precisa de herois, como já disse um poeta. Pelos menos esses políticos salvadores leram bem a parte do Príncipe, livro de Maquiavel, que diz: “E tão simples são os homens, e obedecem tanto às necessidades presentes, que aquele que engana sempre encontrará quem se deixe enganar”.

Os simpatizantes desta “nova política” se utilizam dos mesmos discursos dos velhos políticos da cidade, querem mudar o que está errado, e eles, com se fossem ungidos por Deus, são os que irão consertar tudo em nosso meio. Isso até soa bonito através dos meios de comunicação de massa. Todavia, a “Nova Política” proposta não faz referência aos meandros do velho sistema político patrimonialista da região, de distribuição de cargos e do coronelismo a lá República Velha.

Enquanto a sociedade acreditar em gurus, mágicos e querubins, provavelmente continuarão culpando os donos do “poder” pelas mazelas da cidade, achando mesmo que há algum poder com eles, entretanto há um segredinho, o poder é expresso pela própria sociedade.